07 maio

Resenha: O que é [e o que nunca foi] design gráfico – parte 4

Forma, função, método e simbolismo. São os quatro aspectos utilizados por André Villas-Boas para definir design gráfico em seu livro O que é [e o que nunca foi] design gráfico. Nesse post iremos analisar os aspectos metodológicos, conforme apresentados pelo autor.

Aspectos metodológicos

Para que uma atividade seja considerada design gráfico – ou que um objeto seja enquadrado como um produto de design gráfico – é preciso que haja uma metodologia. Uma metodologia projetual, que sintetiza-se no tripé problematização, concepção e especificação. Metodologia essa que permita ao profissional ter controle sobre as variáveis envolvidas no projeto e fazer opções dentre as alternativas de consecução deste projeto, de acordo com testes realizados anteriormente. Metodologia, enfim, que é a própria razão de ser do design gráfico.

Antes de continuarmos, é importante ressaltar uma colocação muito pertinente do autor: “ser designer não é uma virtude, simplesmente uma condição”. Quer dizer que não deve haver juízo de valor ao enquadrar uma peça como sendo ou não um produto de design gráfico. O design gráfico é uma formulação histórica e está diretamente ligada a sistemas de produção em massa, e não devem ser valorizadas (ou desvalorizadas) em função disso. Uma peça ser design gráfico não a adjetiva como boa ou não, eficaz ou não, respeitável, funcional, bonita, harmoniosa, etc., apenas que foi concebida em determinadas circunstâncias históricas. Circunstâncias essas às quais o termo design faz necessariamente referência e das quais emerge a atividade como prática social necessária. Circunstâncias que, em linhas gerais, ocorrem a partir da emergência da sociedade de massas e do processo de fetichização da mercadoria [nós iremos aprofundar esses conceitos na próxima parte desta resenha].

Peças individuais produzidas sem uma metodologia projetual – como um cartaz realizado manualmente por um feirante, anunciando uma promoção de preços, ou uma impressão feita em computador por um empresário, parabenizando seus funcionários – não se caracterizam, segundo o autor, como design gráfico, independente de sua beleza ou eficácia. Da mesma forma, receitar uma aspirina a alguém que está com dor de cabeça não torna ninguém médico. Mesmo que a situação tenha sido resolvida, não significa que foi exercida medicina nesse momento.

A noção de projeto é uma das caras ao conceito de design – palavra inglesa cuja melhor tradução seria, justamente, projeto (e não desenho). Para finalizar, vamos deixar aqui a definição da profissão de desenhista industrial do Conselho Federal de Educação, segundo parecer 62/87, de 29 de janeiro de 1987. O design gráfico é considerado no Brasil uma sub-área do desenho industrial:

“O desenhista industrial é o profissional que participa de projetos de produtos industriais, atuando nas fases de definição de necessidades, concepção e desenvolvimento do projeto, objetivando a adequação destes às necessidades do usuário e às possibilidades de produção”. *

* podemos perceber aqui listados os três pilares da metodologia projetual, mencionados anteriormente nesse texto.

Acompanhe a continuação dessa resenha semana que vem, aqui no site do degêcast.

2 thoughts on “Resenha: O que é [e o que nunca foi] design gráfico – parte 4

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