02 maio

A internet é incompetente. E a culpa é de quem?

Todos os dedos estão apontados para a internet e para as redes sociais como propagadores de conteúdo ordinário. Mas quem está por trás desses compartilhamentos?

A necessidade de se comunicar, compartilhar, ver e ser visto é uma realidade vivida por muitos hoje em dia. Fotos, vídeo, pensamentos e entretenimento compõe a rotina da maioria das pessoas que estão ligadas a todo momento, recebendo e dividindo conhecimento. Mas, não raro, sua timeline é invadida por virais e notícias que sugerem algum extremismo como “A Copa do Mundo no Brasil foi vendida em um acordo bilionário”, ainda que a Alemanha tenha feito uma campanha excepcional na competição.

O acesso aos dados estatísticos são escassos e as empresas veiculadoras de informações compartilhadas, como Twitter e Facebook, preferem não falar sobre o assunto. Mas uma pesquisa recente do BuzzFeed Brasil, empresa especializada em notícias virais, apontam que “desde o início do ano, as 10 principais notícias falsas tiveram 3,9 milhões de engajamentos, enquanto as 10 principais notícias verdadeiras somaram 2,7 milhões”. A pesquisa cita exemplos de compartilhamentos de notícias sobre a “Operação Lava Jato” em que “as 10 notícias falsas sobre a Lava Jato mais compartilhadas […] em 2016 superaram em quantidade de interações as 10 notícias verdadeiras sobre a operação mais compartilhadas”. Os dados assustam pela mídia social envolvida, mas, principalmente pelos valores apresentados.

E para quem acha que o problema é a “Terra-tupiniquim-do-nada-se-pesquisa-tudo-se-compartilha”, o mesmo site fez uma pesquisa semelhante nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, que apontou estatísticas tão grandes quanto, além de denunciarem um esquema milionário que englobam 43 sites e cerca de 750 artigos falsos distribuídos no mundo todo.  Esse esquema gira em torno da monetiização pelo Google AdSense e gerou grandes lucros.

A reflexão e responsabilização dos dados e valores apresentados caem fortemente sobre as plataformas utilizadas, mas a comunidade tem participação relevante, grave e genuína nessa conjectura, já que a internet, as plataformas e a própria www (world wide web) são feitas e construídas diariamente pelos usuários. A culpabilização das redes sociais é a “ponta do iceberg” de um bloco de gelo infinitamente mais profundo. Se o usuário é incompetente, a internet também o será, e a grande questão na verdade é: será que essa realidade falsa compartilhada nas redes sociais não é conveniente? A resposta é de cunho psicossocial e tem relação íntima com a ingenuidade do indivíduo, grau de instrução e com a falta de senso crítico e engajamento com a tecnologia.

 

Tatiana Bagdonas RosaTatiana Bagdonas Rosa

Ex-estudante de Letras, atual estudante de Degê (Design Gráfico) na Barão, descobriu que a literatura era hobby e as imagens profissão. Entusiasta de tudo e de nada, encontrou na escrita, na comida, na família e no cotidiano uma forma de entender o seu mundo. Acredita que o mundo é mais simples, já que no final somos um “pálido ponto azul”.

Este artigo é de responsabilidade de sua autora e não reflete a opinião do veículo.

2 thoughts on “A internet é incompetente. E a culpa é de quem?

  1. Vou precisar de mais tempo para digerir tudo isto… Afinal sou mais profundo (que o iceberg) e menos incompetente que a WWW porque sou apenas um dos seus usuários. Mas o ponto nevrálgico é realmente o quão conveniente que as falsas notícias estejam veiculadas da mesma forma que as verdadeiras. Alguns dirão que é liberdade de expressão ou oportunidade de treinar o discernimento, não sei se é “meio de vida” ou mais uma bagunça prá complicar a minha vida.

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