25 maio

#52 [Brainstorm] Tipografia com Andrea Kulpas

O que é tipografia?

Segundo o dicionário Michaelis, “tipografia é a arte e a técnica de compor e imprimir com uso de tipos”. A palavra de origem grega (typos = forma e grapheins = escrita) se refere ao “conjunto de procedimentos artísticos e técnicos que abrangem as diversas etapas da produção gráfica (desde a criação dos caracteres até a impressão e acabamento).”

A história da tipografia inicia no século XV com a criação da prensa móvel por Johannes Gutenberg. Tendo a necessidade de tornar o método de impressão mais simples e viável em larga escala, Gutenberg desenvolveu os tipos móveis feitos em paralelepípedos de metal, cuja face apresentava o caractere “esculpido” em relevo.

Dessa forma, ele poderia criar os textos com esses pequenos caracteres e reutilizar os tipos (nome correto para os paralelepípedos) numa nova produção. Esse foi o método utilizado pela imprensa tradicional até medos dos anos 80 quando as produções se tornaram digitais.

Mas a tipografia imprime mais do que apenas caracteres no papel. Ela também é responsável pelo estilo, impacto, peso e presença que um texto exprime com as letras. Com serifa, sans serif, cursivas, display, romanas, são várias as características que classificam e compõem uma fonte.

É Tipografia, não, é lettering!

A tipografia enquanto estudo da formação dos tipos comumente desperta interesse nos calígrafos, designers e entusiastas do ramo. Tal recurso é muito utilizado na criação de branding, identidade visual, projetos publicitários etc. Mas qual a diferença entre lettering e tipografia e quando usamos cada um deles?

Basicamente, além da definição já tratada acima, a tipografia é um conjunto de tipos ou família tipográfica, como por exemplo a Helvetica. É também o estudo de como as letras interagem numa superfície, ou seja, a combinação e disposição dos tipos.

A escolha do tipo, cores, diagramação etc é o que define o caráter e estilo de um projeto, bem como é ele quem colabora para experiência positiva de um leitor, por exemplo.

Já o lettering é uma combinação específica de tipos (uma palavra, sigla, etc) trabalhados com uma única função, utilização e finalidade. O lettering também se diferencia da tipografia no quesito método.

Enquanto a tipografia é um estudo, o lettering é muitas vezes feito à mão livre, sem o rigor da técnica, importância da tipografia, composição tipográfica e hierarquização visual

A tipografia é a cara da linguagem

A frase acima é a epígrafe do livro “Pensar com tipos“, de Ellen Lupton. É uma obra excelente pra quem quer começar a se aprofundar no estudo e no entendimento sobre tipografia.

Uma forma bem simples de determinar a importância da escolha da tipografia para um texto é a dessa imagem:

“Eu sempre encontrarei você” (tradução livre)

Sim, tipos são importantes para creditar e validar uma ideia. Mais que isso, a experiência do usuário está conectada diretamente à tipografia. Como observamos na imagem acima, a freae “I’ll always find you” – Eu sempre encontrarei você – muda completamente de contextos em cada uma das fontes escolhidas pelo autor. Isso porque a escolha tipo + cor em cada um dos exemplos foi apropriado para a mensagem que o autor pretendia passar.

Na primeira frase, a fonte cursiva tem o potencial de remeter ao leitor que isso é uma mensagem de amor, de alguém apaixonado, provavelmente escrito por uma mulher na esperança de dizer ao seu amado que não importa tempo, distância ou situação, ela sempre o encontrará.

Já na segunda imagem, a cor vermelha, acompanhada de uma fonte que parece ser escrita livremente a mão, com respingos que remetem a sangue tornam a mensagem diferente: Não adianta se esconder, fugir ou correr eu sempre vou encontrar você. Provavelmente por algum assassino maluco tal qual nos filmes de terror.

Tipografia e hierarquização visual

Além da tipografia, a hierarquização visual é outro fator muito importante na escolha e seleção de uma tipografia. Observe a imagem:

A imagem acima gera algum esforço focal da parte o leitor, já que sua estrutura imprime ao menos três frases diferentes na mesma imagem. E uma cadência pelo uso de diferentes tamanhos da tipografia, sendo que num tamanho menor, a frase que salta aos olhos é “respostas não existem”. Se ampliada:

Quando ampliada, a frase é “Fui atrás de respostas e a única que encontrei foi que não existem respostas prontas”.  A ideia do autor provavelmente e propositadamente era fazer essa brincadeira visual e tipográfica com seu leito.

Outro bom exemplo é:

Como podemos observar, nosso primeiro impacto é ler a primeira frase, que foi escrita em uma tipografia grande, espessa, pesada, a qual cria impacto no texto, chamando a atenção do leitor para aquele foco de atenção. Na sequência o tipo mais fino, em tamanho convencional oferece ao leitor a ideia de menor “importância”, já que concentrou toda sua atenção na primeira imagem. Já as letras miúdas parecem não ser importantes, mas ainda é parte da frase.

É papel da tipografia, aliada à composição e à hierarquização, proporcionar essas impressões ao leitor. Por isso são criadas famílias tipográficas com variações como bold (negrito), extrabold, itálica, etc. Cada uma delas oferece uma condição para quem lê.

E no episódio de hoje…

No episódio de hoje o papo foi com a especialista em tipografia Andrea Kulpas. Conversamos sobre sua pós-graduação em tipografia na Universidad de Buenos Aires (UBA), sobre tipografia, criações, inspirações e sobre suas referências visuais em design tipográfico. Ela também falou sobre suas experiências profissionais,  sobre alguns eventos e parcerias, cursos e workshop e sobre seus projetos pessoais.

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