19 out

#32 [Degeek] Coisas que amamos odiar

Vitrine do episódio 32, quadro Degeek, sobre coisas que amamos odiar, com imagem do personagem Thor rodeado por Comic Sans e soltando um raio estilo Romero Britto

Amamos odiar e odiamos amar: a neurofilo-sócio-psicologia dos sentimentos

Entre as linhas relacionais mais tênues, com certeza o amor e ódio são as “celebridades” do assunto. Infinitos são os filmes, séries, novelas e livros que retratam esse tema. Alguns apelativos, outros cômicos, mas falar sobre amor e ódio é, em geral, garantia de se fazer ouvir. O que a psicologia, a sociologia, a filosofia e a neurociência tem a dizer sobre isso?

Para a neurociência o amor está atrelado a uma série de substâncias liberadas na corrente sanguínea que nos impedem de agir racionalmente. Segundo artigo da revista Scientific American, cientistas descobriram que as áreas no nosso cérebro que respondem a esses sentimentos são as mesmas, o que torna o tema ainda mais interessante.

No ramo filosófico e sociológico, Platão diz que o amor consiste no desejo. Já para Aristoteles o amor se apropria da relação de felicidade. No pensamento cristão o amor é igual a renuncia. Os behavioristas afirmam que o amor é um conjunto de sensações e comportamentos aprendidos pelo indivíduo. O pessimista Schopenhauer afirma que o amor é o desejo inconsciente de perpetuar a espécie.

Independente da vertente seguida, amor e ódio são sensações e sentimentos relacionados intimamente à condição humana. Nesse sentido, Spinoza resume que amor e ódio são sentimentos contrários e que “o ódio é aumentado pelo ódio recíproco e, ao contrário, pode ser apagado pelo amor”.

Por que amamos algumas coisas e por que odiamos outras?

Amamos e odiamos coisas simplesmente por odiar ou amar?  Quem nunca se perguntou: “por que não gosto desse filme?”. Entender os motivos pelos quais amamos ou adiamos algumas coisas nos faz refletir sobre quem somos e o que gostamos. Quais os pontos que nos tocam tão profundamente a ponto de despendermos atenção, sensações e sentimentos com alguma coisa? Pensar sobre o assunto estimula o autoconhecimento.

Pensar e refletir sobre aquilo que nos agrada ou que nos proporciona aversão é um exercício interessantíssimo de autoconhecimento. Desde muito novos criamos parâmetros para nós mesmos e vamos moldando nossas preferências de acordo com essas expectativas.

Para ser um bom “amador” ou um bom “odiador” precisamos, em primeiro lugar, entender como e porque algumas coisas nos são agradáveis ou não. A resposta está nas afeições e afetos que cultivamos ao longo de nossas trajetórias, nossas experiências e bagagens, nossas formações psicossociais e filosóficas, nossas referências construídas por aquilo que lemos, ouvimos, assistimos, convivemos e refletimos.

Outra vertente bastante usada é o que Marilena Chauí trata como simpatia e antipatia a alguma coisa. A simpatia é a propensão a gostar de alguma coisa e a antipatia é a aversão e a contraposição direta à simpatia. Essa simpatia e antipatia se dão, outra vez, através daquelas coisas que nos são familiares. Seja pela forma, por fazer menção, seja por lhe causar alguma sensação anteriormente obtida, a simpatia e antipatia estão atreladas aos parâmetros construídos ao longo da vida.

Sendo assim, o conjunto de informações e referências obtidas ao longo da vida nutrem o que chamamos de amar ou odiar. Nossas simpatias e antipatias são pré-disposições e estão ligadas às nossas principais características.

Por que amar Game of Thrones e odiar um tal de Jar Jar Binks?

Se você já viu, leu ou ouviu qualquer um desses nomes, provavelmente já sabe onde quero chegar. Por que amamos Game of Thrones? Porque sim! Ok, é válido, mas o que há de tão maravilhoso e fantástico nesse universo repleto de sangue, violência, personagens pouco desenvolvidos, fanatismo e marketing bem feito?

Sim, estou dizendo que vejo defeitos graves na série (shame). Mas, muito mais do que isso, entendo os motivos que movem pessoas a contratar pacotes caríssimos de televisão para ver em primeira mão um único episódio por semana.

A série abraça seus espectadores por meio de:

  1. Cenário característico de um universo fantástico na idade média, uma temática curiosa e envolvente. Quem nunca se imaginou na idade média ainda não viveu o bastante!
  2. Personagens humanos a ponto de não serem bons nem maus, são apenas humanos. Cultura de aproximação.
  3. Elemento surpresa. Me diga aí, quem não ficou desgraçado da cabeça quando a cabeça do Ned Stark rolou? Maior jogada de gênio da HBO, já que esse era o último episódio da primeira temporada.
  4. A realidade abordada por mais de um ponto de vista, humanização do fantástico e inspiração. Essas três características, são com toda certeza, o ponto chave dessa série.
  5. Trilha sonora, enredo envolvente e tudo isso articulado em temporadas, com gosto de quero mais.

Game of Thrones, apesar de ter problemas como personagens esquecidos, maniqueísmos, episódios desnecessários em temporadas com apenas dez deles é, sem dúvida, a maior série dos últimos tempos. E os motivos básicos giram em torno das referências pré-existentes em nossas mentes e que há muito não se via.

Universo fantástico, criaturas, dragões, batalhas épicas, mágica, problemas familiares e brigas de clãs… Não, não estou falando de GoT! Estou falando de Senhor do Anéis e lembrando que nosso último exemplar verdadeiramente bom foi esse e que já estávamos com saudade!

A verdade é que em algum momento esses universos fantásticos habitaram nossas vidas, foram associados à alegria, felicidade ou a coisas boas e hoje, apesar dos defeitos que não queremos enxergar, GoT é um exemplar dessas associações. Mais que isso, GoT reatou as pazes humanas com a televisão e com o ato de sentar à frente dela e assistir a uma novela. Tudo isso é fruto de elementos simpáticos a nós e constituem referências ao prazer que tínhamos de no passado fazer essas mesmas coisas.

Por outro lado, por que odiamos um certo Jar Jar Binks? A aposta de George Lucas num personagem “bobalhão” que pudesse atribuir a veia cômica ao filme “A ameaça fantasma” saiu pela culatra e ofereceu apenas um personagem bobinho e pobre.

Um dos grandes problemas do Binks está na primeira referência cômica dos filmes, os personagens C3PO e R2D2. Os dois androides eram engraçados e cativos do público na primeira trilogia Star Wars. Mas, além de problemas no enredo e roteiro do filme, o personagem de Naboo era bobo e completamente dispensável, e veio para “substituir” os tão queridos androides. Para ilustrar, sabe quando você sente vergonha por alguma coisa que outra pessoa está fazendo? Esse é o Binks no filme.

O ponto é que independente das qualidade e defeitos que alguma coisa tenha, as nossas relações de afeto, simpatia e amor ou ódio, repulsa e antipatia por elas estão intimamente atreladas às bagagens e referências acumuladas ao logo da vida. E isso explica porque alguns amam algumas coisas que odiamos e vice versa.

O episódio: Coisas que amamos odiar

No episódio de hoje do Degeek, o Alberto G.P. Oliveira e a Tati Bagdonas se juntam aos nerdebateadores mais firmeza da galáxia, Amálio Damas, Pablo Lopes e André Cruz, pra falar de obras da cultura pop que amamos odiar. Imaginem só o que vos aguarda, jovem Padawan! Nesse episódio falamos de:

  • livros, filmes, quadrinhos, músicas e séries que odiamos
  • polêmica, alguém não gosta de GoT!
  • porque odiamos o filme do Thor
  • odiamos Coldplay, porque sim!

Não perca esse bate papo, e acredite, são críticas construtivas sobre alguns erros e desvios de abordagem dos melhores exemplares da cultura pop. Dá o play e descubra quem são os odiados da galera.

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Links importantes:

Scientific American  – Amor e Odio nascem no mesmo lugar, dizem cientistas
Livro:  A nervura do real  II: imanência e liberdade em Spinoza – Marilena Chauí

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Crédito da Músicas utilizadas nesse programa
Simplicity by DJ A-Gon at Bass Rebels: https://soundcloud.com/dj-a-gon

Degêcast, abreviação abrasileirada de Design Gráfico, é um podcast desenvolvido por estudantes e professores do curso de Design Gráfico do Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto – SP.

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